terça-feira, 10 de julho de 2007

História das favelas - por ADRIANA BITTENCOURT do JB Online

"Favelas - ''Conjunto de habitações populares, toscamente construídas e desporvidas de recursos higiênicos'', Dicionário Aurélio.

A propagação das favelas no Rio de Janeiro começou bem antes do que se imagina. Os registros contam que a primeira, no extinto morro de Santo Atônio, surgiu em meados de 1897 com cerca de 41 barracos. Como ela foi extinta na década de 50, não há muitos documentos sobre sua formação, apenas relatos de que ela seria habitada por soldados da Guerra de Canudos, oriundos do sertão nordestino, que acampavam na capital durante os combates ou como protesto por terem sido expulsos do exército.

No mesmo ano, nascia também a favela da Providência, sobre o morro do mesmo nome, situado entre o centro e o porto do Rio. Atualmente, a favela ainda existe no mesmo local e já comemorou os seus 100 anos de existência. A partir daí, vale analisar mais profundamente toda a história do estado do Rio, seu desenvolvimento industrial, o êxodo rural, a abolição da escravidão, a formação de mercados e a substituição do modelo econômico com o desenvolvimento dos setores secundário e terciário da economia.

Como o Rio tornou-se um dos centros econômicos do país, a migração foi ficando cada vez mais intensa, assim como a dificuldade de receber essas pessoas. As primeiras manifestações da crise da moradia ocorreram na segunda metade do século XIX e nas três primeiras décadas do século XX. Nessa época, o número de habitantes subiu de 235 mil em 1870 para 522 mil 1890. Além dos imigrantes, que vinham em busca de emprego e dinheiro, um grande contingente de pobres buscava meios de sobrevivência na área central, onde tudo acontecia.

Como ainda não havia uma estrutura organizada e uma divisão de espaços especializados em local de trabalho e moradai, como nos dias de hoje, as pessoas se aglomeravam no centro da cidade, onde a locomoção era mais fácil e a proximidade com possíveis locais de trabalho era maior. Como opção barata de moradia surgiram os cortiços, espaços pequenos e precários, na maioria das vezes alugados, superlotados e que ocupavam os quintais dos antigos térreos e sobrados.

As péssimas condições deste ambiente, associadas à crise das condições sanitárias da cidade foram os motivos para que essas habitações coletivas fossem condenadas a desaparecer, inclusive com uma dura repressão por parte do Poder Público. Foram concedidas várias facilidades a engenheiros e arquiquetos que se propuseram a construir moradias mais higiênicas e particulares. O alto custo dessas instalações, entretanto, fizeram com que os moradores resistissem até a Reforma Urbana de 1902, do prefeito Pereira Passos, que realmente deu fim aos cortiços no intuíto de embelezar a cidade.

Nessa época, houve uma espécie de definição dos espaços com divisão de locais de moradia e trabalho, e até de bairro de ricos e pobres. O centro solidificou-se como bairro comercial e teve início a construção de grandes prédios assim como a supervalorização dos terrenos e custos. Com isso, a classe mais pobre se viu sem alternativas de moradias baratas, inclusive porque foram criadas regras de contrução que oneravam os custos mesmo nas áreas residenciais. Assim, os pobres viram como única alternativa a construção de barracos nas áreas vazias da cidada, que eram os morros dos centros (como o Santo Antônio e Providência) e os da perferia. Assim, iniciava-se a expansão das favelas, principalmente nas áreas centrais, próximo aos locais de trabalho.

Em 1907 a zona sul, principalmente os morros de Copacabana, já estavam tomados por barracos. Assim como os morros do Salgueiro e Mangueira, por volta de 1910. Após 1930, entretanto, a procura por esses locais de moradia aumentou bastante. Segundo a Estatística Predial de 1933, os casebres das favelas, nesse ano, representavam 20,58% (46.192) do total de prédios da cidade.

Dez anos depois, na década de 40, as favelas começaram a se proliferar nas zonas industriais e começaram a ser reconhecidas pelo governo. Em 1947, foi realizado o primeiro Censo oficial nas favelas. O censo de 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que a cidade ganhou 119 favelas a partir de 1991.0 IBGE listou 513 comunidades faveladas em 2000 na capital - um crescimento de 30,2% em relação ao censo anterior, feito em 1991, e de 12,3% levando-se em consideração a recontagem de 1996.

Mas o ritmo de crescimento dessas comunidades é bem maior do que o registrado pelo IBGE, que deixa de contar favelas com menos de 51 casas, além de conjuntos habitacionais e loteamentos irregulares favelizados.

Na época da ditadura militar, em 1964, cerca de 80 favelas foram destruídas por causa da grande repressão do governo e em seus lugares, principalmente nas áreas nobres, foram construídos prédios e parques. Os moradores dos barracos nas favelas foram removidos para conjuntos habitacionais, muitas vezes mais caros e distantes dos locais de trabalho. Por causa desses impecílios, muita gente retornou para as favelas que não haviam sido destruídas pelo governo ou criaram outras.

Depois desse período crítico, e com o fim da ditadura, as políticas sociais foram se flexibilizando e os moradores de favelas deixaram de ser considerados marginais e passaram a ser tratados como trabalhadores vítimas de uma cidade sem planejamento. Com isso, as casas passaram a ser de concreto, ao invés de madeira, e os serviços de saneamento e luz foram sendo instalados. Junto à legalização, também surgiram os problemas. As construções em áreas de risco, muitas vezes sujeitas a desabamento, começaram a se tornar mais frequentes, assim como a aparição de barracos nas áreas mais baixas, perto de viadutos e avenidas.

Em 1994 o governo criou o 'Favela Bairro', um programa cujo objetivo era melhorar a vida dos moradores das favelas, entre outros programas. Com isso, as favelas se tornaram mais vistas e começaram a ter importância no projeto urbanístico da cidade. Atualmente, o número de favelas cresceu bastante, apesar de os números ainda serem bastante contraditórios, e já fazem parte da paisagem da maioria dos bairros cariocas. "

A Ressonância Schumann - por Leonardo Boff

“Não apenas as pessoas mais idosas , mas também jovens fazem a experiência de que tudo está se acelerando excessivamente. Ontem foi Carnaval, dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal. Esse sentimento é ilusório ou tem base real? Pela ressonância Schumann se procura dar uma explicação. O físico alemão, W.O.Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por um campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (dai chamar-se ressonância Schumann), mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formas de vida.

Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma frequência de 7,83 hertz.

Empiricamente, fez-se a constatação de que não podemos ser saudáveis fora dessa freqüência biológica natural.

Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam. Mas submetidos à ação de um simulador Schumann recuperavam o equilíbrio e a saúde.

Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir de anos 1980, e de forma mais acentuada a partir de 1990, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz por segundo.

O coração da Terra disparou!. Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros.

Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.

Gaia, esse superorganismo vivo que é a Mãe Terra, deverá estar buscando formas de retornar a seu equilíbrio natural. E vai consegui-lo, mas não sabemos a que preço, a ser pago pela biosfera e pelos seres humanos. Aqui abre-se o espaço para grupos esotéricos e outros futuristas projetarem cenários, ora dramáticos, com catástrofes terríveis, ora esperançosos, como a irrupção da quarta dimensão pela qual, todos seremos mais intuitivos, mais espirituais e mais sintonizados com o biorritmo da Terra.

Não pretendo reforçar esse tipo de leitura. Apenas enfatizo a tese recorrente entre grandes estudiosos do cosmos e biólogos, de que a Terra é efetivamente, um superorganismo vivo, de que Terra e humanidade formamos uma única entidade, como os astronautas testemunham de suas naves espaciais.

Nós seres humanos, somos como a Terra que sente, pensa, ama e venera. Por que somos isso? Porque possuímos a mesma natureza bioelétrica e estamos envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann.

Se quisermos que a Terra reencontre seu equilíbrio, devemos começar por nós mesmos: fazer tudo sem estresse, com mais serenidade, com mais amor, que é uma energia essencialmente harmonizadora. Para isso importa termos coragem de ser anticultura dominante, que nos obriga a ser cada vez mais competitivos e efetivos. Precisamos respirar juntos com a Terra, para conspirar com ela pela paz.”